Um empreendimento icônico pode proteger valor — e também exigir anos para encontrar o comprador certo.
Balneário Camboriú transformou sua verticalização em marca internacional. Torres residenciais de grande altura, arquitetura singular e serviços exclusivos posicionaram a cidade no mapa do mercado de ultraluxo.
O Senna Tower representa o auge dessa estratégia. O material oficial apresenta o projeto como a torre residencial mais alta do mundo, com 204 apartamentos, 18 mansões suspensas, áreas de lazer em diferentes alturas e tecnologias estruturais incomuns.
Empreendimentos icônicos criam escassez, prestígio e capacidade de atrair compradores globais. Esses atributos podem sustentar preços que não seguem a média municipal.
A mesma singularidade, porém, reduz o número de referências comparáveis. Avaliar preço justo, potencial de revenda e custo de manutenção torna-se mais difícil quando o produto não possui equivalente direto.
O investidor também precisa considerar prazo de obra, atualização das parcelas, estrutura de financiamento, alterações de projeto, custo condominial e público efetivo de saída. No ultraluxo, pequenas mudanças representam valores absolutos elevados.
A força da marca gera autoridade e confiança, mas não elimina o risco contratual. Quanto maior e mais complexo o empreendimento, maior a importância de compreender a incorporação específica e as obrigações assumidas.
Comprar um ícone pode ser uma excelente decisão patrimonial. O perigo está em confundir admiração pelo projeto com certeza de liquidez, retorno ou ausência de risco.
Referências essenciais
• Senna Tower — registro da incorporação e unidades
Lucas Rafael Sampaio é advogado especializado em Direito Imobiliário.
www.lucasrafaelsampaio.com.br
Instagram: @lucasrafaelsampaio